sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sonetos das ilusões de amor



        Soneto das ilusões

     Antes o pranto de um amor ausente
do que não ter por quem chorar!

Onde estás? Horas mortas, frias,
tua imagem procuro no meu peito.
Um poeta não tem noites, não tem dias,
sonha nos céus, nas nuvens faz o leito.

Onde estás? Longe? Que tens feito?
Em que corpo estão tuas mãos macias?
Fiz-me poeta! Sei, não sou perfeito,
vivo cheio de ilusões vazias...

Volta! Não há ninguém no teu espaço.
Diz um nome feio que é mais bonito
o silêncio fere mais que um grito.

Sou poeta, embaixo vai um traço!
E para que voltes, em branco e preto,
te grito o meu amor neste soneto!







         Grafite

      Há sempre o nome de alguém
 gravado nas paredes do coração...

Vou pichar teu rosto na cidade
tingir de azul o indefectível breu
dizer-te coisas que a mocidade
sabe que é amor, mas jamais viveu.

Vou revelar-te que na verdade
meu amor no tempo nunca se perdeu
e para gravá-lo na eternidade
picho o teu nome ao lado do meu.

Paredes brancas, ruas negras, baldias,
entre as cores do spray, passo dias
moldando tua imagem, luz no apogeu.

As tintas do arco-íris, hei de tê-las,
e em letras garrafais, nas estrelas,
direi ao mundo quem mais te amou: Eu!




  


         Dois em um

     Uma haste pode conter duas flores.
E, às vezes, uma tem mais nutrimento
que a outra...

Se tens a um só tempo duas luzes
no escuro tens a visão estranha
de dividir-se em duas cruzes:
uma parte é chão, a outra montanha.

São duas estrelas presas no véu
azul da imensidão em noites frias.
A lua entre os dedos, descendo o céu,
polindo teus passos por onde ias.

Que faz o amor, quais os fatores,
segredo vivo nas fendas do olhar
elementos dois a desafiar céu e mar?

Uma haste que nutre duas flores
uma vida tem, a outra em suspense,
-Vê, o corpo é teu mas não te pertence!

     Inácio Dantas

     Outros blogs do autor (bom relacto. a dois):


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